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Prenúncio do fim
Eugénio de Sá
Quando no peito o arfar tiver cessado E o meu olhar se perder no além, Já não farei então falta a ninguém Ninguém irá saber de eu ter amado.
Mas eu amei, meu Deus, ah, se eu amei! Amei, talvez sem haver sido amado Amei, talvez de um jeito desastrado Mas amei de verdade, e m’entreguei.
E dessa entrega pulcra, inocentada Que não colheu jamais retribuição Ficou somente a mágoa acidulada.
Mas não vou recordar, que o coração Não sofra mais c’o a morte antecipada Que ela me chegue enquanto houver razão!
Portugal 23/JAN/2012
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