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Quando a vida adormece nos braços da noite,

para repouso do dia agitado,

 o corpo estirado languidamente sobre o leito

cede, aos poucos, ao cansaço da longa jornada

e se entrega dócil ao sono reparador ...

E é a partir desse momento,

que a mente entorpecida

penetra sem medo no mundo dos sonhos ...

sem reservas, Mergulha

Nas Fantasias da Alma.

(Rose Mori)

Faça uma visita ao meu site:

www.fantasiasdaalma.com.br

 

  

ELA, A SAUDADE

                                                                                         Rose Mori                                                          

No quarto envolto em penumbra,

sobre o leito, o homem jaz adormecido...

Refém do sono profundo

o corpo forte e moreno

parece tão frágil... tão vulnerável...

tão infinitamente belo e puro.

Parada ao lado da cama,

ela o contempla com infinita adoração...

Seus dedos tocam de leve

 a pele macia e quente

traçando caminhos de ternura...

Um arrepio de prazer

percorre o corpo do homem

e um breve sorriso aflora seus lábios.

Os olhos cerrados não deixam entrever

o olhar que enfeitiça e escraviza...

Num impulso irresistível,

ela se deita ao lado do homem,

afaga seus cabelos,

beija os olhos...

a boca...

o corpo...

Aconchega-se a ele,

que a abraça inconsciente...

e nessa inconsciência o amor acontece...

 

Esta noite,

minha saudade visitou você

em forma de mulher.

 

 

 

 

 

 

Cativa sou

Rose Mori

 

Cativa sou desse olhar  profundo, penetrante,

às vezes sombrio e misterioso

que me envolve..

me segue...  me desconcerta...

 

Cativa sou desse sorriso cínico

sempre a bailar nos lábios

que me beijam com ardor,

me fazendo trêmula e inquieta

à espera de mais... e mais...

 

Cativa sou do espírito altivo e inconstante,

alma repleta de nuances,

que instigante

me deixa entre dúvidas e certezas...

 

Cativa sou de teus caprichos e desejos...

E não quero outro destino

que não sejam teus braços

me envolvendo,

único cativeiro em que me sinto liberta!

 

 

 

O Mar... Amor...

                                         Rose Mori

 

Ouço ao longe,

o murmurar das ondas

se quebrando na praia...

 

O mar...amor...

tão mutante e misterioso

como as sendas do coração...

 

O mar... amor...

de águas cristalinas

 salgadas, como as lágrimas

que molham os olhos,

escorrem pelas faces

e deixam na boca

um gosto indescritível

de melancolia...

de saudade...

 

O mar... amor...

Me leve em tuas águas,

me eleva nas cristas de tuas ondas

me arrebata por inteira

e me faz tua para sempre...

Deixa que eu mergulhe profundamente

nas águas desse mar...amor

que são teus olhos...

teus braços...

teu corpo...

minha perdição...

minha loucura...

meu pecado...

minha vida!

 

 

 

Fantasias da Alma

INQUIETUDE

 

                                (Rose Mori)

 

Sinto no peito

uma inquietude inexplicável

e um desejo  fremente de escrever.

Mas.. sobre o que?

Já falei tanto

e sobre tantas coisas,

e  ainda resta tanto....

Quisera arrancar do peito

este turbilhão de sentimentos

que me sufocam;

 jogá-los ao léu...

ao sabor do vento...

à vontade do tempo

para que fossem levados

por aí afora

e abrigados no coração

de quem estivesse disposto

a ouvir...

sentir...

partilhar...

Retalhos de mim,

em folhas de papel;

frações da alma ferida

rabiscadas ao acaso...

Fragmentos de vida

sem sentido...

sem rumo...

sem nada...

 

E mesmo hoje,

estando junto a ti,

não há vislumbre de felicidade

porque nossos caminhos se cruzam

apenas por breves momentos

levando-nos, cada qual,

por rumos diferentes.

 

 

QUANDO SAIR DE MINHA VIDA

 

 (Rose Mori)

 

Quando sair de minha vida, não saia só.

Leve consigo todas as lágrimas

e também os sorrisos que provocou em mim.

Leve consigo a insegurança

de um amor incompreendido.

Quando sair de minha vida, não saia só.

Não deixe para trás

os momentos roubados do destino...

os segredo compartilhados...

os carinhos trocados...

a desilusão... o tédio...

Quando sair de minha vida

leve também as lembranças,

boas e más. que ficaram na memória.

Não quero mais recordar você;

mas desejo que jamais me esqueça.

Quando sair de minha vida

não se esqueça

de fechar a porta de meu coração

e jogar a chave no tempo,

que é para ninguém mais entrar...

pelo menos até que eu consiga

entender a vida e as artimanhas do destino.

Quando sair de minha vida,

quer mesmo saber?

Deixe tudo para trás,

mas me leve com você.

 

 

A TARDE E EU

 

Rose Mori

 

Num fim de tarde como outra qualquer

caminho descalça na areia,

molhando distraidamente os pés

nas pequenas ondas que se deleitam na praia...

Os pensamentos estão longe...

viajando no tempo...

O olhar, perdido no horizonte,

onde o mundo parece terminar...

Os sentimentos, entorpecidos,

não se dão conta da beleza da tarde

que passa sem pressa

em direção à noite...

Cores matizadas se entremeiam

e iluminam as nuvens

que parecem tufos de algodão

se desprendendo do céu...

E não obstante toda esta beleza,

a tarde tem um que de melancolia,

de nostalgia, de coisas perdidas...

deixadas pra trás...

tal qual minha alma inquieta

presa da saudade

de um amor que se perdeu

numa tarde como esta.

 

 

 

 

ilustracao 

POEMA INACABADO

                                       Rose Mori

Ah, manhã que desperta preguiçosa,

ainda envolta nos braços da madrugada!

Te cobre a neblina,

como um lençol de fina  gaze,

do qual te libertas languidamente...

Penso que neste momento

adentras as frestas da janela

do quarto,

onde jaz adormecido o meu amado

e em seus lábios depositas o beijo

que não lhe posso dar...

Teus braços alcançam o corpo inerte

cobrindo-o de carícias voluptuosas...

Ah, como eu quisera

que ao invés dos teus,

manhã,

fossem meus os dedos que tocam

a pele morena,

despertando os sentidos para o amor.

Quisera que seus olhos ao se  abrirem

encontrassem os meus

inundados de ternura

contemplando seu despertar...

No entanto, apenas escrevo

este poema inacabado,

não por falta de amor;

não por falta de inspiração,

mas porque  tenho pressa

de  pegar carona

em tuas asas,

manhã que nasce cheia de luz,

antes que as nuvens,

num acesso de ciúmes,

encubram o sol

que te ilumina e aquece.

e te tornes novamente

cinzenta e triste,

te tornes apenas

mais uma manhã comum

como tantas outras

que acontecem em minha vida.

 

 

 

 

 

 

 
 

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